Angústia, desânimo, falta de vontade de levantar da cama...
Animação, extrema confiança, sensação de poder...

Sim, estamos falando da mesma pessoa!



O transtorno de humor é um estado em que funções psíquicas como o humor, emoções, sentimentos e afetos encontram-se alterados. No transtorno bipolar são experienciadas fases que transitam entre a depressão e a mania. Não existem congruências entre os estados de humor, eles podem oscilar copiosamente e não raras vezes independentemente do que acontece ao redor. Esses acontecimentos influenciam nem sempre previsivelmente. Exemplo: se ocorre morte de pessoas mais próximas que sejam, o esperado é que a tristeza seja parte desse indivíduo, mas o bipolar logo entra em estado eufórico, passa a ficar agitado, ou mesmo irritado, pois o estresse estimulou uma instabilidade na patologia. Essa transição súbita entre as fases de mania e depressão é chamada pelos médicos de virada de humor. Eles podem variar em dias, semanas ou meses havendo também fases de “normalidade”.


Durante o período de depressão, o indivíduo experimenta sensações de diminuição de energia, redução do sentimento de prazer, melancolia, desesperança, pensamentos pessimistas ou negativos que podem incluir a ideação suicida. Já nos episódios de mania há uma sensação ampliada de energia e poder, aceleração do pensamento, diminuição do sono. Idéias de grandiosidade, além de comportamentos extrovertidos e auto critica reduzida, podendo por exemplo resultar em gastos excessivos, comportamentos sexuais desinibidos entre outros atos irrefletidos. O estopim para uma crise, pode partir de circunstâncias tanto positivas quanto negativas, mas que gerem uma tensão suficiente para o desequilibro de uma pessoa com o transtorno, como por exemplo: perda de emprego, promoção no trabalho separação, casamento, entre outros. Se faz necessário um acompanhamento com equipe multidisciplinar, pois a intervenção perpassa por desafios, uma vez que a adesão ao tratamento encontra impasse, decorrente das frequentes discrepâncias entre os estados de humor, passando à resistência em relação ao plano de tratamento. Pois essas pessoas podem procurar auxílio na fase depressiva que a doença apresenta, mas logo quando salta para o outro pólo que é a fase da mania, elas tendem a abandonar o tratamento. Nesse caso, familiares e amigos tem um papel fundamental na colaboração para continuidade do tratamento.